Status
Aprovado
Submetido em
20/08/2026
Autores
I
Iris Vasconcelos Abitibol
Autor Principal
(2) Juliana Pinheiro Barcellos
(3) Marinna Mousinho Jorge Bernardes
(4) Yasmin Bacellar Diniz Dias
(5) Rivaldo Lira Filho
(6) Willane Bandeira de Sousa
(1) Graduanda do curso de Medicina na Universidade Estadual do Maranhão, Campus São Luís
(2) Graduanda do curso de Medicina na Universidade Estadual do Maranhão, Campus São Luís
(3) Graduanda do curso de Medicina na Universidade Estadual do Maranhão, Campus São Luís
(4) Graduanda do curso de Medicina na Universidade Estadual do Maranhão, Campus São Luís
(5) Enfermeiro e professor do curso de Medicina na Universidade Estadual do Maranhão, Campus São Luís
(6) Médico graduado pela Universidade Federal do Maranhão
Introdução
A mortalidade materna constitui importante indicador das condições de saúde e da qualidade da assistência à mulher durante o ciclo gravídico-puerperal. A análise de sua evolução e das causas obstétricas permite identificar mudanças no padrão epidemiológico e subsidiar estratégias de prevenção e qualificação da assistência materna.
Objetivos
Analisar a evolução temporal da razão de mortalidade materna, o perfil epidemiológico e a distribuição das causas obstétricas dos óbitos maternos no Maranhão, de 2015 a 2024.
Métodos
Estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo, de série temporal, realizado com dados secundários do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), disponibilizados pelo DATASUS. Foram analisados os óbitos maternos de residentes no Maranhão, segundo ano de ocorrência, faixa etária, raça/cor, escolaridade, tipo de causa obstétrica e grupos e categorias da Classificação Internacional de Doenças 10ª revisão (CID-10). A Razão de Mortalidade Materna (RMM) foi calculada pelo número de óbitos maternos dividido pelo número de nascidos vivos, multiplicado por 100.000. Foram calculadas frequências absolutas e relativas e a variação percentual da RMM entre os extremos da série.
Resultados
Foram registrados 973 óbitos maternos. A RMM passou de 99,5/100 mil nascidos vivos em 2015 para 71,6/100 mil em 2024, redução de 28,1% entre os extremos da série, com comportamento oscilatório e pico de 134,4/100 mil em 2021. No período, 72,3% dos óbitos decorreram de causas obstétricas diretas e 26,9% de indiretas. Contudo, em 2021, as causas indiretas corresponderam a 50,7% dos óbitos, com aumento de 23 registros em 2020 para 74 em 2021 (221,7%). Destas, 77,0% foram classificadas como O98, referente a doenças infecciosas e parasitárias maternas classificáveis em outra parte, complicando gravidez, parto e puerpério. Na série total, predominaram os grupos relacionados a edema, proteinúria e transtornos hipertensivos da gravidez, parto e puerpério (28,6%), outras afecções obstétricas não classificadas em outra parte (24,7%) e complicações do trabalho de parto e do parto (19,0%). Quanto ao perfil, predominaram mulheres de 20 a 29 anos (41,9%), pardas (72,1%) e com 8 a 11 anos de escolaridade (48,8%).
Conclusão
A mortalidade materna apresentou comportamento oscilatório no Maranhão, com RMM 28,1% menor no ano de 2024 em relação a 2015, porém marcada por expressivo pico em 2021. Embora as causas obstétricas diretas tenham predominado no período, o ano de maior RMM apresentou mudança excepcional desse padrão, com proporções semelhantes de causas diretas e indiretas e concentração destas últimas na categoria O98. Os achados evidenciam a heterogeneidade das causas da mortalidade materna e reforçam a importância da vigilância epidemiológica e da assistência oportuna às complicações obstétricas e às condições clínicas que podem ser agravadas durante a gestação, o parto e o pós-parto.
Informações de Apresentação