Status
Aprovado
Submetido em
27/08/2026
Autores
Z
Zenilda Vieira Bruno (1)
Autor Principal
Pâmela Mendes Arruda (2)
Raquel do Amaral Meireles Freitas (3)
Alexsandra Braga Farias (4)
Marcelo Praxedes Monteiro Filho (5)
1. Professora Titular de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC)
2. Médica - ginecologista do Seviço de Diferença do Desenvolvimento Sexual (DDS) da Maternidade Escola Assis Chateaubriand da UFC
3. Enfermeira do Seviço de Diferença do Desenvolvimento Sexual (DDS) da Maternidade Escola Assis Chateaubriand da UFC
4. Psicóloga do Seviço de Diferença do Desenvolvimento Sexual (DDS) da Maternidade Escola Assis Chateaubriand da UFC
5. Doutor em Medicina, Professor do Centro Universitário São Camilo
Introdução
: A agenesia ou hipoplasia vaginal associada às Diferenças do Desenvolvimento Sexual (DDS) pode impactar significativamente a qualidade de vida e a função sexual. Quando a dilatação vaginal não é indicada, aceita ou apresenta resultados insatisfatórios, a neovaginoplastia constitui alternativa para reconstrução vaginal. A pele de tilápia-do-Nilo tem sido investigada como biomaterial para reconstrução vaginal, apresentando baixo custo, disponibilidade e potencial de integração e remodelamento tecidual.
Métodos
Paciente de 14 anos, fenotipicamente feminina, encaminhada ao ambulatório de DDS da Maternidade Escola Assis Chateaubriand, Fortaleza-CE, por amenorreia primária e genitália atípica. Apresentava Tanner M2P3, clitoromegalia importante, fusão quase completa dos lábios, orifício urogenital único (Prader III) e nodulações bilaterais nos canais inguinais. Cariótipo 46,XY. Ultrassonografia pélvica não caracterizou o útero. O conjunto dos achados foi compatível com DSD 46,XY, sem definição etiológica molecular. A investigação genética não foi realizada devido à indisponibilidade do exame no serviço. Foi submetida à gonadectomia bilateral, com histopatológico demonstrando tecido testicular bilateral. Após gonadectomia, iniciou terapia estrogênica e foi submetida à clitoroplastia. Aos 19 anos, diante do desejo de iniciar vida sexual, realizou neovaginoplastia pela técnica de McIndoe, utilizando pele de tilápia-do-Nilo. Após dois meses, apresentava boa cicatrização, sem complicações, e comprimento vaginal de 10 cm.
Conclusão
A pele de tilápia-do-Nilo apresenta características favoráveis à utilização como biomaterial, incluindo microbiota não infecciosa, semelhança morfológica com a pele humana, elevada biorreabsorção e composição rica em colágeno, componente fundamental na organização e reparação dos tecidos. Inicialmente empregada no tratamento de queimaduras, demonstrou em estudos clínicos potencial de promover reepitelização, além de apresentar biocompatibilidade. Esses achados sustentaram sua aplicação em cirurgia reparadora e, posteriormente, na reconstrução vaginal. Em estudo com 11 pacientes submetidas à neovaginoplastia, a pele de tilápia mostrou-se uma alternativa segura, eficiente e de baixo custo, proporcionando formação de neovagina anatômica e funcional. No presente caso, sua utilização resultou em boa cicatrização e comprimento vaginal de 10 cm após dois meses, reforçando seu potencial como biomaterial para reconstrução vaginal em pacientes com DDS 46,XY.
Conclusão: A neovaginoplastia pela técnica de McIndoe utilizando pele de tilápia-do-Nilo apresentou boa evolução anatômica e cicatricial nesta paciente com DDS 46,XY. Suas características de biocompatibilidade, potencial de reepitelização, disponibilidade e baixo custo tornam esse biomaterial uma alternativa promissora para reconstrução vaginal. Estudos com maior casuística e seguimento prolongado são necessários para avaliar seus resultados funcionais e sexuais.
Informações de Apresentação