XII Congresso Maranhense Ginecologia & Obstetrícia · 21º Congresso Brasileiro · 4º Congresso Internacional
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Trabalho #69  ·  Relato de Caso
ORAL
Agenesia do terço distal da vagina em adolescente submetida à neovaginoplastia com pele de tilápia: relato de caso
Status Aprovado
Submetido em 27/08/2026
Autores
Z
Zenilda Vieira Bruno (1)
Autor Principal
Alice de Freitas Gurgel (2) Thais Eduarda Ribeiro Rocha (2) Pâmela Mendes Arruda (3) Raquel do Amaral Meireles Freitas (4)
1. Professora Titular de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC) 2. Graduanda de Medicina da UFC 3. Médica Ginecologista do Serviço de Diferença do Desenvolvimento Sexual da Maternidade Escola Assis Chateaubriand / UFC 4. Enfermeira do Serviço de Diferença do Desenvolvimento Sexual da Maternidade Escola Assis Chateaubriand / UFC
Introdução
Agenesia do terço distal da vagina é uma alteração anatômica que pode ocasionar obstrução do trato genital e comprometer a exteriorização do fluxo menstrual. Em adolescentes, pode manifestar-se por amenorréia primária associada à dor pélvica e ao acúmulo de conteúdo hemático no trato genital. A reconstrução vaginal constitui uma possibilidade terapêutica nos casos sintomáticos, sendo a utilização da pele de tilápia como revestimento do molde vaginal uma alternativa empregada na confecção da neovagina.
Métodos
Paciente de 17 anos, com amenorreia primária, telarca e pubarca aos 9 anos, apresentava dor pélvica diária desde os 11 anos, contínua, com irradiação lombar e intensidade de até 10/10 na escala visual analógica, sem outros sintomas associados. Aos 12 anos, após ultrassonografia pélvica alterada, iniciou uso contínuo de desogestrel 75 μg/dia e foi submetida à himenectomia (sic), para drenagem de conteúdo hemático, apresentando melhora temporária da dor. Uma segunda intervenção cirúrgica foi programada, porém não realizada durante a pandemia de COVID-19, persistindo o quadro álgico. Ao exame ginecológico, apresentava genitália externa de aspecto habitual, uretra normoimplantada e ausência de intróito vaginal, inclusive à manobra de Valsalva. Ao toque retal, identificou-se abaulamento correspondente aos terços médio e superior da vagina, sem estrutura palpável na localização do terço inferior, sendo diagnosticada agenesia do terço distal da vagina. A ressonância magnética da pelve evidenciou aumento das dimensões uterinas associado a conteúdo hemático na cavidade endometrial e na tuba uterina esquerda, com achados sugestivos de hematometrocolpo. Foi indicada neovaginoplastia com pele de tilápia para estabelecer comunicação entre o segmento vaginal existente e o meio externo. Durante o procedimento, constatou-se ausência de terço inferior da vagina, sendo realizada abertura até o colo uterino, com drenagem de grande quantidade de conteúdo amarronzado. Posteriormente, foi inserido molde de acrílico de 10 cm recoberto com pele de tilápia, sem intercorrências cirúrgicas. No seguimento, a paciente manteve o uso do molde de silicone por três meses.
Conclusão
O caso evidencia a importância da investigação de amenorreia primária associada à dor pélvica na adolescência para identificação de alterações obstrutivas do trato genital. Na paciente descrita, a agenesia do terço distal da vagina associou-se à retenção de conteúdo hemático e à persistência de dor pélvica, sendo manejada por reconstrução vaginal com molde revestido por pele de tilápia. O acompanhamento pós-operatório mostrou-se relevante diante da necessidade de manutenção da permeabilidade e do comprimento do canal vaginal reconstruído.
Informações de Apresentação
ORAL
Modalidade
24/09/2026
Data
09:05
Horário
2. Auditório Ilha do Amor
Sala