Status
Aprovado
Submetido em
28/08/2026
Autores
M
Marco Aurélio Knippel Galletta (1)
Autor Principal
Carolina França Reis do Rio (2), Leticia Schimidt Arruda (2), Aurora Tose Fermo (3), Adriana Lippi Waissman (4), Rossana Pulcineli Vieira Francisco (5)
(1) Professor Associado da Disciplina de Obstetrícia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP
(2) Obstetriz. Mestranda do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP
(3) Graduanda do curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), Aluna de Iniciação Científica;
(4) Médica Assistente da Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas da FMUSP, Coordenadora do Setor de Gravidez na Adolescência;
(5) Professora Titular da Disciplina de Obstetrícia do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da FMUSP
Introdução
A gestação na adolescência é frequentemente considerada condição de maior vulnerabilidade e risco obstétrico, sendo associada a diferentes complicações maternas e perinatais. Entretanto, os resultados da literatura são heterogêneos e parte desse risco pode decorrer não da idade materna isoladamente, mas de fatores clínicos, nutricionais, socioeconômicos e relacionados ao acesso e à qualidade da assistência pré-natal. A comparação com gestantes adultas pode contribuir para compreender melhor o papel da idade e identificar intercorrências que mereçam atenção específica nessa população.
Objetivos
Comparar a frequência de pré-eclâmpsia e outras intercorrências obstétricas entre gestantes adolescentes e adultas atendidas em um hospital universitário terciário.
Métodos
Estudo observacional retrospectivo realizado na Clínica Obstétrica do Hospital das Clínicas da FMUSP (São Paulo), com dados de gestantes acompanhadas entre 2001 e 2019. Foram inicialmente identificadas 7.950 gestantes, sendo 1.072 adolescentes e 6.878 adultas. Para reduzir o efeito de condições associadas a maior risco materno, foram excluídas mulheres ≥35 anos e com doenças crônicas prévias, além de malformações e óbitos fetais. Após as exclusões, 4.353 gestantes (987 adolescentes e 3.366 adultas) compuseram a população elegível para as análises comparativas.
desfecho. As adolescentes eram acompanhadas em pré-natal multidisciplinar realizado no próprio serviço. Compararam-se as frequências de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional, infecção urinária e rotura prematura de membranas entre adolescentes e adultas.
Resultados
A pré-eclâmpsia foi menos frequente entre adolescentes do que entre adultas (7,9% versus 18,8%; p<0,001). Também foram menores entre adolescentes as frequências de diabetes mellitus gestacional (1,0% versus 11,9%; p<0,001) e rotura prematura de membranas (1,8% versus 8,4%; p<0,001). A frequência de eclâmpsia foi semelhante entre os grupos (0,2% versus 0,4%; p=0,549). Em contraste, a infecção urinária foi mais frequente entre adolescentes (6,6% versus 2,3%; p<0,001).
Conclusão
As adolescentes apresentaram menores frequências de pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e rotura prematura de membranas, apesar da maior ocorrência de infecção urinária. Esses resultados não devem ser interpretados como evidência de efeito protetor da adolescência, mas à luz das características assistenciais e do perfil das populações comparadas. Todas as adolescentes eram acompanhadas em programa específico, com assistência pré-natal multidisciplinar. Embora tenham sido excluídas doenças crônicas preexistentes, o grupo adulto foi constituído em hospital terciário de alta complexidade, com gestantes encaminhadas por maior risco obstétrico. Os achados reforçam que a idade materna isoladamente é insuficiente para caracterizar o risco de adolescentes e sugerem que modelos assistenciais multidisciplinares, com acompanhamento pré-natal atento às vulnerabilidades próprias dessa faixa etária, podem contribuir para resultados obstétricos favoráveis.
Informações de Apresentação