Status
Aprovado
Submetido em
28/08/2026
Autores
(
(1) Marinna Mousinho Jorge Bernardes - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
Autor Principal
(2) Raissa Cerveira Vieira - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
(3) Sofia Victoria Mendes Clemente - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
(4) Yasmin Bacellar Diniz Dias - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
(5) (5) Rivaldo Lira Filho - Enfermeiro e docente da Universidade Estadual do Maranhão.
(6) Willane Bandeira de Sousa - Médico ginecologista e obstetra pela Universidade Federal do Maranhão; orientador do trabalho.
Universidade Estadual do Maranhão
Universidade Federal do Maranhão
Introdução
A mortalidade materna é um indicador sensível da qualidade da assistência à gestação, ao parto e ao puerpério. Durante a pandemia de COVID-19, a sobrecarga dos serviços de saúde, as barreiras de acesso e os efeitos diretos e indiretos da infecção podem ter ampliado o risco de desfechos maternos graves. Nesse contexto, avaliar o impacto da pandemia na mortalidade materna do Maranhão é essencial para compreender o impacto desse período na assistência obstétrica.
Objetivos
Avaliar o impacto da pandemia de COVID-19 na mortalidade materna no Maranhão entre 2014 e 2024, testando a hipótese de associação entre o aumento e o período pandêmico.
Métodos
Estudo observacional, epidemiológico, analítico, retrospectivo e de base populacional, com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, de residentes no Maranhão entre janeiro de 2014 e dezembro de 2024. Foram obtidos, mensalmente, os óbitos maternos e os nascidos vivos, para o cálculo da Razão de Mortalidade Materna (RMM), por 100.000 nascidos vivos. O impacto do período pandêmico foi avaliado por série temporal interrompida, considerando março de 2020 como intervenção. Modelaram-se os óbitos mensais, com nascidos vivos como offset, ajustando-se tendência, mudança de nível pós-intervenção e sazonalidade. Utilizou-se regressão binomial negativa, estimando razões de taxas (RT) e intervalos de confiança de 95% (IC95%), com significância de 5%. Testou-se abril de 2020 como interrupção alternativa. Analisaram-se causas obstétricas diretas, indiretas e subcategorias da Classificação Internacional de Doenças (CID-10).
Resultados
Foram registrados 1.066 óbitos maternos e 1.190.674 nascidos vivos em 132 meses (RMM=89,53/100.000). Sem tendência pré-pandêmica significativa. Em março de 2020, aumento imediato de 59,6% na mortalidade materna (RT=1,596; IC95%:1,200–2,123; p=0,001), sem mudança significativa na inclinação da série pós-intervenção (RT=0,993; IC95%:0,985–1,001; p=0,067). O resultado manteve-se com abril de 2020 como ponto alternativo (RT=1,673; IC95%:1,263–2,215; p<0,001). O aumento concentrou-se nas causas obstétricas indiretas, que triplicaram na pandemia (RT=3,324; IC95%:1,767–6,251; p<0,001), sem aumento significativo das diretas (RT=1,185; IC95%:0,895–1,568; p=0,236). A concentração em O98.5 — outras doenças virais complicando gravidez, parto e puerpério — foi marcante: 73 dos 77 óbitos ocorreram em 2020–2021 e, em 2021, representaram 56 dos 74 óbitos indiretos.
Conclusão
A pandemia de COVID-19 associou-se temporalmente ao aumento abrupto da mortalidade materna no Maranhão. Esse incremento ocorreu, sobretudo, às custas das causas obstétricas indiretas e coincidiu com expressiva concentração de óbitos classificados como doenças virais maternas em 2020–2021. Os achados evidenciam a vulnerabilidade da assistência materna diante de emergências sanitárias e reforçam a necessidade de estratégias capazes de preservar o acesso e a continuidade do cuidado obstétrico durante crises de saúde pública.
Informações de Apresentação