Status
Aprovado
Submetido em
28/08/2026
Autores
(
(1) Marinna Mousinho Jorge Bernardes - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
Autor Principal
(2) Raissa Cerveira Vieira - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
(3) Iris Vasconcelos Abitibol - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
(4) Isabelle Nicole Moraes Ribeiro - Graduanda do curso de Medicina da Universidade Estadual do Maranhão.
(5) Rivaldo Lira Filho - Enfermeiro e docente da Universidade Estadual do Maranhão.
(6) Willane Bandeira de Sousa - Médico ginecologista e obstetra pela Universidade Federal do Maranhão; orientador do trabalho.
Universidade Estadual do Maranhão
Universidade Federal do Maranhão
Introdução
A mortalidade materna é um importante indicador das condições e da qualidade da assistência à saúde, por refletir complicações na gestação, parto e puerpério, além da capacidade dos serviços de preveni-las e manejá-las. Sua persistência pode indicar desigualdades no cuidado, sobretudo entre mulheres em maior vulnerabilidade sociodemográfica. Assim, analisar a evolução da mortalidade materna, suas principais causas e sua distribuição segundo raça/cor e escolaridade no Maranhão é fundamental para identificar padrões de maior vulnerabilidade e subsidiar estratégias de prevenção de mortes evitáveis.
Objetivos
Analisar a tendência da mortalidade materna no Maranhão entre 2014 e 2024, avaliando desigualdades segundo raça/cor e escolaridade, sob a hipótese de maior magnitude entre mulheres em maior vulnerabilidade sociodemográfica.
Métodos
Estudo observacional, analítico, retrospectivo e populacional, com dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) de residentes no Maranhão, 2014–2024. No SIM, obtiveram-se óbitos maternos por ano, raça/cor, escolaridade, causas específicas e classificação em causas obstétricas diretas e indiretas. Do SINASC, extraíram-se nascidos vivos de mães residentes, denominadores da Razão de Mortalidade Materna (RMM), por 100.000 nascidos vivos. Calcularam-se RMM anuais e específicas por raça/cor e escolaridade, razões de mortalidade, intervalos de confiança de 95% (IC95%) e valores de p, tendo mulheres brancas e com ≥12 anos de escolaridade como referência. A tendência temporal foi avaliada por regressão linear simples, com significância de 5%.
Resultados
Foram registrados 1.066 óbitos maternos, com RMM global de 89,53/100.000 e pico de 134,36/100.000 em 2021, sem tendência linear significativa (β=-0,41; IC95%: -4,43 a 3,62; p=0,824). Mulheres pretas apresentaram RMM de 261,15/100.000, cerca de duas vezes a das brancas (RM=2,03; IC95%: 1,59–2,58; p<0,001). Mulheres sem escolaridade tiveram RMM de 479,46/100.000, 6,25 vezes a daquelas com ≥12 anos (IC95%: 4,52–8,64; p<0,001), enquanto as com 1–3 anos tiveram RMM de 250,04/100.000 (RM=3,26; IC95%: 2,45–4,33; p<0,001). Causas obstétricas diretas corresponderam a 73,1% dos óbitos. Destacaram-se eclâmpsia (16,0%), outras doenças maternas complicando gestação, parto e puerpério (15,3%), doenças infecciosas e parasitárias maternas (8,0%), hipertensão gestacional com proteinúria significativa (7,6%) e hemorragia pós-parto (6,9%).
Conclusão
A mortalidade materna no Maranhão permaneceu elevada e marcada por desigualdades sociodemográficas, com maior magnitude entre mulheres pretas e, sobretudo, entre aquelas com baixa escolaridade. O predomínio de causas obstétricas diretas e de condições evitáveis, como eclâmpsia e hemorragia pós-parto, reforçam a necessidade de melhoria da assistência pré-natal, ao parto e ao puerpério, com prioridade aos grupos mais vulneráveis. Estudos futuros devem aprofundar o estudo dos determinantes associados às desigualdades observadas.
Informações de Apresentação