Status
Aprovado
Submetido em
28/08/2026
Autores
A
Alaíse Pinto Neves
Autor Principal
Dra Maria de Fátima Barros Sales Morgado
Ariele Pinto Neves
Maternidade de alta complexidade do Maranhão- MACMA
Introdução
A rotura uterina é emergência obstétrica rara, associada a elevada morbimortalidade materna e perinatal. Em útero sem cicatriz prévia, sua incidência varia entre 0,7 e 1,8/10.000 nascimentos, tornando-se ainda mais infrequente antes das 20 semanas, período em que raramente compõe as hipóteses diagnósticas iniciais. O quadro clínico é inespecífico e mimetiza outras intercorrências graves, como HELLP, descolamento placentário e sepse, retardando o reconhecimento. Por isso, o diagnóstico precoce exige elevada suspeição clínica, sobretudo diante de fatores pouco valorizados, como grande multiparidade e sobredistensão uterina por gestação múltipla, mesmo sem cesárea prévia.
Métodos
Paciente, 40 anos, G7P5A1 (partos vaginais, sem cicatriz uterina) com 18 semanas com gestação gemelar dicoriônica diamniótica(óbito do segundo feto identificado na 1 ultrassonografia(usg) encaminhada devido a quadro com hipertensão (158x100 mmHg), dor epigástrica e em baixo ventre, sangramento vaginal discreto e alteração visual, evoluindo com hipotensão refratária e dessaturação; internada em UTI em 10/09/25 sob suspeita de HELLP e sepse a esclarecer. Evoluiu com rebaixamento súbito da consciência e taquidispneia grave, necessitando intubação orotraqueal. Com instabilidade progressiva, doses crescentes de vasopressores e ventilação em parâmetros elevados, a usg evidenciou rotura uterina com extrusão fetal para a cavidade abdominal e líquido livre volumoso. Encaminhada ao centro cirúrgico, confirmou-se rotura fúndica com feto morto intra-abdominal e hemoperitônio, realizada histerectomia subtotal com preservação do colo. Após 24h de estabilização em UTI, recebeu alta para enfermaria, permanecendo internada por mais 24h.
Conclusão
# DISCUSSÃO
O caso ilustra a dificuldade diagnóstica da rotura uterina em idade gestacional precoce, cujas manifestações se sobrepõem às de condições mais prevalentes, como HELLP e sepse, retardando a hipótese de rotura. A ausência de cicatriz uterina não deve afastá-la: a literatura aponta multiparidade e sobredistensão miometrial por gestação múltipla como fatores predisponentes independentes de cirurgia prévia. A contribuição prática do relato é reforçar que, diante de deterioração desproporcional ou refratária ao tratamento inicial das hipóteses mais óbvias, a rotura uterina deve compor o diagnóstico diferencial antes mesmo da viabilidade fetal, sendo a ultrassonografia à beira-leito decisiva para confirmação e conduta cirúrgica oportuna.
# CONCLUSÃO
A rotura uterina espontânea em gestação precoce, embora rara, deve ser considerada no diagnóstico diferencial de quadros abdominais agudos com instabilidade hemodinâmica, particularmente diante de multiparidade e gestação múltipla. O manejo multidisciplinar ágil, integrando terapia intensiva, obstetrícia e cirurgia, foi determinante para o desfecho materno favorável, reforçando a importância da suspeição clínica precoce.
Informações de Apresentação