Status
Aprovado
Submetido em
28/08/2026
Autores
A
Ana Luísa Matos da Silva
Autor Principal
Thomas Canêdo Pessôa (1); Bruna Queiroz Mello Aboim (1); Daniele dos Santos Feitosa (1); Naara Rayane Moura Cutrim (1); Lunalva Aurélio Pedroso Sallet (2).
(1) Discente do curso de medicina da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins);
(2) Bióloga. Docente do curso de Medicina da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins). Doutora em Ciências Biológicas (Biologia Molecular) pela Universidade de Brasília (2013).
Introdução
A gravidez na adolescência é um relevante desafio de saúde pública e direitos reprodutivos globais. A gestação na adolescência precoce (10 a 14 anos) carrega vulnerabilidade ampliada em razão da imaturidade biológica, atraso no reconhecimento gestacional e barreiras de acesso à saúde. Estratificar epidemiologicamente a adolescência precoce da tardia (15 a 19 anos) é indispensável para identificar disparidades assistenciais e dimensionar vulnerabilidades obstétricas e perinatais.
Objetivos
Descrever e comparar a assistência obstétrica, o tipo de parto e os desfechos perinatais entre mães em adolescência precoce e tardia no estado do Tocantins no período de 2020 a 2024.
Métodos
Estudo epidemiológico observacional, descritivo e de base populacional, realizado a partir de microdados secundários do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC/DATASUS) referentes aos nascimentos ocorridos no Tocantins de janeiro de 2020 a dezembro de 2024 (quinquênio com dados consolidados). Foram analisados todos os nascidos vivos de mães entre 10 e 19 anos, estratificadas em: 10 a 14 anos (adolescência precoce) e 15 a 19 anos (adolescência tardia). As variáveis incluíram consultas de pré-natal, tipo de parto, duração da gestação, peso ao nascer, índices de Apgar e série temporal. Empregou-se análise estatística descritiva (frequências absolutas e relativas). Por utilizar dados públicos e anonimizados, o estudo é dispensado de apreciação ética (Resolução CNS nº 510/2016).
Resultados
No período, registraram-se 19.453 nascidos vivos de mães adolescentes, sendo 1.131 (5,81%) no grupo de 10 a 14 anos e 18.322 (94,19%) no de 15 a 19 anos. Meninas de 10 a 14 anos apresentaram menor adequação do pré-natal (≥ 7 consultas: 58,89% vs. 64,93%) e maior frequência de cobertura insuficiente (< 4 consultas: 9,90% vs. 8,01%). A prematuridade (< 37 semanas) foi superior no grupo de 10 a 14 anos (18,83% vs. 12,86%), assim como o baixo peso ao nascer (< 2.500 g: 14,10% vs. 9,68%) e o muito baixo peso (< 1.500 g: 2,83% vs. 1,53%). O parto vaginal predominou na faixa de 10 a 14 anos (65,25% vs. 59,86%), enquanto as cesarianas foram mais frequentes entre 15 e 19 anos (40,13% vs. 34,75%). A frequência de Apgar de 0–5 no primeiro minuto foi maior na adolescência precoce (5,39% vs. 4,13%), com recuperação ao 5º minuto (Apgar 8–10: 94,43% vs. 96,75%). Ao longo do quinquênio, observou-se redução de 32,55% nos nascimentos entre 10 e 14 anos e de 22,08% entre 15 e 19 anos.
Conclusão
Mães de 10 a 14 anos concentram maior vulnerabilidade perinatal, caracterizada por menor acesso ao pré-natal e taxas elevadas de prematuridade e baixo peso. Embora tenha sido observada redução no número de nascidos vivos de mães adolescentes no estado ao longo do período, os achados reforçam a urgência de políticas públicas direcionadas à proteção infantojuvenil e à captação pré-natal precoce..
Informações de Apresentação