XII Congresso Maranhense Ginecologia & Obstetrícia · 21º Congresso Brasileiro · 4º Congresso Internacional
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Trabalho #84  ·  Trabalho Original
E-POSTER
Violência Sexual em Meninas Adolescentes do Nordeste: Perfil Sociodemográfico, Comportamental e Fatores Associados — Análise dos Microdados da PeNSE 2024
Status Aprovado
Submetido em 28/08/2026
Autores
R
Rebeca Mousinho Pestana de Oliveira
Autor Principal
Higor Lucas Borges Pereira Ana Beatriz Nunes Pacheco Maria Luisa dos Santos Rodrigues
Residente de Ginecologia e Obstetrícia do HUUFMA Acadêmico de medicina da UFMA Residente de Ginecologia e Obstetrícia do HUUFMA Preceptora da residência de Ginecologia e Obstetrícia do HUUFMA, orientadora
Introdução
A violência sexual contra adolescentes é problema de saúde pública prevalente e subnotificado. Dados nacionais da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que 26,0% das meninas brasileiras já sofreram alguma forma de violência sexual, majoritariamente cometida por pessoa conhecida ou familiar. O ginecologista da infância e adolescência ocupa posição estratégica para o rastreio ativo dessas vítimas, cuja violência raramente é revelada como queixa principal em consulta.
Objetivos
Comparar o perfil sociodemográfico, comportamental, de saúde mental e de saúde sexual/reprodutiva entre meninas adolescentes do Nordeste que relataram e que não relataram violência sexual, identificando fatores independentemente associados a esse desfecho.
Métodos
Estudo transversal com microdados públicos da PeNSE 2024, subamostra de meninas do Nordeste (n=20.827). Violência sexual foi definida por relato de contato forçado e/ou coação sexual/estupro ao longo da vida. Comparações bivariadas por qui-quadrado ou teste exato de Fisher e Mann-Whitney; razão de chances (OR) e intervalo de confiança de 95% (IC95%) por regressão logística; correção de Benjamini-Hochberg para múltiplas comparações; modelo multivariado por entrada forçada de variáveis, com checagem de multicolinearidade e análise de sensibilidade por seleção stepwise. Análises no software R.
Resultados
A prevalência de violência sexual foi 27,4% (5.709/20.827). Entre as vítimas, 40,2% relataram a primeira ocorrência aos 9 anos ou menos; os agressores mais citados foram outro conhecido (29,8%) e outros familiares (28,9%). No modelo ajustado, os fatores mais fortemente associados foram sentir-se triste sempre (OR=2,20; IC95% 1,60–3,03), insatisfação com o corpo (OR=1,93; IC95% 1,61–2,31), bullying recorrente ≥3 vezes (OR=1,58; IC95% 1,40–1,79) e ideação de autolesão (OR=2,17). Vítimas apresentaram sexarca mais precoce e frequente (34,6% vs. 18,3%; p<0,001), menor uso de camisinha na primeira relação (57,6% vs. 66,1%; p<0,001) e maior agressão física por parceiro íntimo (12,8% vs. 4,1%; p<0,001). Nenhuma associação perdeu significância após correção para múltiplas comparações.
Conclusão
Meninas nordestinas vítimas de violência sexual apresentam perfil de polivitimização, com maior sofrimento psíquico, pior imagem corporal e vulnerabilidade sexual/reprodutiva aumentada. Os achados reforçam a necessidade de rastreio ativo de violência sexual e de namoro em consultas de ginecologia da infância e adolescência. Estudos longitudinais são necessários para confirmar causalidade.
Informações de Apresentação
E-POSTER
Modalidade
24/09/2026
Data
08:30
Horário
TV 03
Sala