XII Congresso Maranhense Ginecologia & Obstetrícia · 21º Congresso Brasileiro · 4º Congresso Internacional
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Trabalho #9  ·  Trabalho Original
E-POSTER
ANÁLISE ESPAÇO-TEMPORAL DAS TAXAS DE INCIDÊNCIA DE TOXOPLASMOSE GESTACIONAL NO BRASIL DE 2019 A 2025
Status Aprovado
Submetido em 18/08/2026
Autores
G
Geovana Almeida dos Santos Araujo
Autor Principal
Hellen Karolynne Silva Pinheiro Gandra, Debora Castro Sousa, João Paulo Dutra Lobo Sousa, Erika Barbara Abreu Fonseca Thomaz, Bruno Feres de Souza
Universidade Federal do Maranhão
Introdução
A toxoplasmose gestacional é uma infecção sistêmica causada pelo protozoário Toxoplasma gondii, contraída geralmente pela ingestão de oocistos presentes em água ou alimentos contaminados ou por cistos teciduais em carne mal cozida, caracterizando-se pelo risco de transmissão vertical e graves desfechos fetais e perinatais. O monitoramento epidemiológico contínuo da enfermidade é fundamental para nortear estratégias de rastreamento pré-natal e ações de saúde pública no Sistema Único de Saúde.
Objetivos
Analisar a distribuição espaço-temporal das taxas de incidência da toxoplasmose gestacional nos municípios do Brasil no período de 2019 a 2025.
Métodos
Estudo ecológico e de séries temporais com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos nos municípios do Brasil entre 2019 e 2025. A tendência temporal foi analisada por regressão segmentada (Joinpoint regression), estimando-se a Variação Percentual Anual e o respectivo intervalo de confiança de 95% (IC95%). Para a análise espacial, aplicou-se o método bayesiano empírico local, calculando-se o risco relativo por município e avaliando-se a autocorrelação espacial por meio da estatística Local Indicator of Spatial Association (LISA). A taxa de incidência foi calculada tendo como numerador o número de casos de toxoplasmose gestacional e como denominador o total de nascidos vivos (NV), com o resultado final multiplicado por 10.000. As análises foram realizadas nos softwares GeoDa, QGis e Joinpoint Regression Program.
Resultados
No período de 2019 a 2025, foram notificados 86.335 casos de toxoplasmose gestacional, resultando em uma taxa média de 47,44 casos por 10.000 NV. Em relação ao critério de confirmação, 85,69% dos registros foram confirmados por laboratório. Ademais, observou-se que 77,41% das gestantes tinham idade entre 20 e 39 anos e 37,36% dos casos ocorreram no segundo trimestre gestacional. Na análise temporal, a regressão joinpoint identificou um ponto de inflexão em 2023: no primeiro segmento (2019 a 2023), a taxa passou de 29,5 para 59,3 casos por 10.000 NV, com APC de 20,16% (IC95%: 17,28 a 27,01; p < 0,000001), ao passo que no segundo segmento (2023 a 2025) a APC foi de 1,99% (IC95%: -3,74 a 9,43; p = 0,391). Na análise espacial, o método bayesiano empírico e a estatística LISA evidenciaram que as taxas em grande parte do Brasil foram de 0 a 47,15, apontando concomitantemente 454 municípios classificados no padrão Alto-Alto, com destaque para a formação de aglomerados de risco e taxas elevadas em estados como Tocantins, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Piauí e Rio Grande do Norte, evidenciados por valores de risco relativo superiores a 4,00 nessas localidades.
Conclusão
A incidência da toxoplasmose gestacional no Brasil apresentou crescimento acentuado e significativo até 2023, seguido por estabilização em patamares elevados até 2025, com forte heterogeneidade espacial e aglomerações de alto risco que exigem ações pré-natais regionalizadas.
Informações de Apresentação
E-POSTER
Modalidade
25/09/2026
Data
08:30
Horário
TV 04
Sala