Status
Aprovado
Submetido em
01/09/2026
Autores
A
Ana Carolina Carvalho Santos, Naturóloga pela Universidade Anhembi Morumbi, Pós Graduada em Ginecologia Natural e PICS aplicada à saúde da Mulher pela Faculdade SIm. Pós graduada em Saúde 4.0 gestão e tecnologia pela PUC.
Autor Principal
Dra.Albertina Duarte Takiuti Graduada em Medicina pela Pontifícia na Universidade Católica em 1970, Residência Médica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (1971-1972), Curso de Sanitarista pela Faculdade de Saúde Pública (1973), Mestrado e Doutorado pela Faculdade de Medicina da UniversidadBárbara Wallery Matheus, Naturóloga pela Universidade Cruzeiro do Sul, Pós Graduada em Saúde do Adolescente, Docência em Saúde, Psicanálise, Psicoterapia e Psicopatologia do Adolescente pela Faculdade de Minas Gerais, Pós Graduanda em Medicina Tradicional Chinesa e Acupuntura pela Faculdade Ebramec e Pós Graduanda em Ginecologia Natural pelo Instituto de Ginecologia Natural.
Mariana Huerta; Obstetriz pela Universidade de São Paulo, Naturóloga pela Universidade Anhembi Morumbi, Pós graduanda em Enfermagem na Saúde da Mulher pela DNA-PÓS e Pós Graduanda em Medicina Tradicional Chinesa e Acupuntura pela ETOSP-CTA.
Silvia Helena Fabbri Sabbag; Naturóloga pela Universidade Anhembi Morumbi, Pós Graduada em Yoga pela FMU, Pós Graduada em Ginecologia Natural e PICS aplicada à saúde da Mulher pela Faculdade SIm.
Sophia de Oliveira Teixeira, Naturóloga pela Universidade Anhembi Morumbi e Pós Graduanda em Medicina Tradicional Chinesa e Acupuntura pela Faculdade Ebramec.
e de São Paulo.
Hospital das Clinicas USP.
Introdução
A atenção integral à saúde da mulher no Sistema Único de Saúde busca superar uma perspectiva restrita à maternidade, contemplando dimensões biológicas, sociais, culturais, emocionais e subjetivas ao longo do ciclo vital. Na adolescência, esse cuidado exige estratégias que acolham as especificidades da puberdade, da saúde menstrual, da sexualidade, da saúde mental e da construção de autonomia. Embora políticas como a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM) e a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PNPIC) tenham ampliado essa abordagem, ainda persistem desafios relacionados ao acolhimento humanizado, à medicalização excessiva, à invisibilidade das demandas juvenis e à desconsideração das subjetividades femininas. Nesse contexto, o Núcleo de Naturologia Hebiátrica (NuNaH), fundado em 2024, organiza e fortalece a atuação da Naturologia, já inserida no Programa de Saúde do Adolescente do Estado de São Paulo (PROSAD-SP) desde 2006, integrando as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS) ao cuidado multiprofissional de adolescentes e jovens.
Objetivos
Relatar a experiência do NuNaH na integração da Naturologia e das PICS ao cuidado em saúde da adolescência feminina no SUS, com ênfase nas ações desenvolvidas no ambulatório de ginecologia do HCFMUSP durante o primeiro semestre de 2026.
Métodos
Trata-se de um relato de experiência com análise quantitativa e qualitativa dos registros naturológicos realizados no PROSAD-SP/HCFMUSP. Foram sistematizados 35 casos únicos, incluindo atendimentos individuais, registros complementares e rodas de conversa. Os dados foram organizados de forma anonimizada, considerando faixa etária, demandas ginecológicas, fatores associados, condutas registradas, evolução dos casos e observações das rodas.
Resultados
Dos 35 casos analisados, 32 estavam na faixa etária de 10 a 24 anos (91,4%) e 3 foram considerados exceções acompanhadas pelo serviço (8,6%). As principais demandas foram ginecológicas, menstruais ou contraceptivas em 28 casos (80%), com destaque para dismenorreia ou dor pélvica em 21 casos (60%), fluxo intenso, coágulos ou sangramento excessivo em 13 casos (37,1%), irregularidades menstruais, amenorreia, SOP/SOMP, cistos ou suspeita de endometriose em 12 casos (34,3%) e questões relacionadas a métodos contraceptivos em 11 casos (31,4%). Entre os fatores associados, observaram-se alimentação irregular ou excesso de ultraprocessados (74,3%), ansiedade, estresse, tristeza ou baixa autoestima (74,3%), sono inadequado (62,9%), baixa hidratação (51,4%), sedentarismo (51,4%), alto tempo de tela (45,7%), conflitos familiares ou dificuldade de diálogo (42,9%) e sofrimento escolar, bullying ou questões de autoimagem (37,1%).
As rodas de conversa constituíram parte fundamental da metodologia de cuidado, abordando temas como identidade, pertencimento, emoções, sexualidade, limites, menstruação, bullying, gravidez na adolescência, comunicação com adultos e autoimagem. Esses espaços permitiram observar aspectos nem sempre evidentes na consulta individual, como postura corporal, participação, expressão emocional, vínculos familiares, pertencimento, autonomia e fatores de risco e proteção.
Conclusão
A experiência do NuNaH evidencia a potência da integração entre Naturologia, PICS e equipe multiprofissional no cuidado à saúde da adolescência feminina no SUS. As queixas ginecológicas apresentaram forte relação com dimensões emocionais, familiares, escolares e comportamentais, indicando a importância de uma abordagem centrada na pessoa. A Naturologia contribuiu como ponte entre a queixa corporal e a vida cotidiana das adolescentes, fortalecendo escuta, vínculo, educação em saúde, autorregulação emocional, percepção do ciclo menstrual, autocuidado e autonomia.
Informações de Apresentação